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Domingo, 1 de Julho de 2007
Interrupção voluntária da gravidez
 

Tinha 18 anos quando, confrontada com uma gravidez indesejada, decidi abortar, tendo para isso recorrido a uma parteira. Correu tudo bem, no entanto, nunca me atrevi a contar esta situação à minha ginecologista. Doze anos depois, desejo engravidar mas receio não conseguir, ter problemas durante a gravidez e parto ou mesmo dar à luz uma criança com alguma malformação, pelo facto de ter tomado essa opção há vários anos. Existe alguma relação entre estes acontecimentos e a interrupção voluntária da gravidez? O que me aconselha fazer antes de tentar engravidar?


 

Parece-me que a colocação deste problema resulta da permanência de algum traumatismo psicológico em consequência da atitude tomada na juventude.


Não há razão para pensar em problemas no decurso da gravidez, parto ou existência de malformações no recém-nascido.


Já quanto ao tentar engravidar, pode de facto existir dificuldade como resultado do acto praticado pela parteira. Mas é impossível saber ao certo se houve ou não consequências nefastas.


Se nessa altura não ocorreram grandes hemorragias, infecções ou agressão importante do útero, é natural que não exista qualquer consequência.


Aconselho-a a relatar os factos à sua ginecologista, que tenho a certeza compreenderá a situação e ficará informada com elementos que podem ser importantes para o caso de dificuldade em ocorrência de gravidez. A ela compete também realizar ou solicitar os exames básicos para avaliar a situação.





Publicado por João Luís Silva Carvalho às 10:14
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Ginecologista obstetra


Doutorado em Medicina, este especialista de Ginecologia/Obstetrícia tem-se distinguido em Endoscopia Ginecológica e Medicina da Reprodução/Reprodução Medicamente Assistida. Em1990, foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Ginecologia. É professor associado da Faculdade de Medicina do Porto e autor de diversos trabalhos científicos. Actualmente exerce o cargo de presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução.
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